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Über mich

foto-6_800pxNasci em Portugal, na localidade de Noura, no concelho de Murça, distrito de Vila Real. Depois do exame do Liceu e do estudo de línguas no Porto, dediquei-me intensivamente à pintura. Em 1974 frequentei a Escola Superior de Belas Artes no Rio de Janeiro, Brasil. Radiquei-me na Alemanha em 1979 onde me licenciei em Educação de Artes e Ciências Linguísticas pela Universidade de Johannes Gutenberg-Mainz, na Alemanha. Presentemente, para além de ser pintora, sou docente de Português, Francês e Alemão como língua estrangeira e também trabalho como tradutora simultânea em Espanhol, Francês e Alemão.

Não sei bem em que altura comecei a libertar a minha veia artística… Lembro-me que em casa dos meus avós eu sonhava com um mundo que era para lá do que se me estendia quando me aproximava duma janela, simplesmente, porque a minha avó me lia contos da mitologia, e muitas e muitas histórias sobre deuses e heróis. Enquanto a minha avó me contava histórias, eu ia rodando um filme no ecrã da minha imaginação e, por mais curiosa que fosse, eu gostava muito de estar sozinha. Preferia os adultos a crianças, mas gostava sim de um José e de uma Maria, gente muito humilde, cujo coração batia em uníssono com a natureza. Foi com eles que aprendi a comtemplar a grandeza da vida, a glória da luz, a serenidade das montanhas de Trás-os-Montes, que ao pôr-do-sol, quer fosse no nevoeiro da aurora, ou na escuridão da noite, nada me faziam recear. Eu sabia que tinha os anjos comigo. Foi assim que surgiu a minha afinidade com os anjos. Mais tarde, uma irmã do meu pai, que era professora primária, levava-me com ela por temporadas para uma escola onde dava aulas numa aldeia. Eu adorava sentar-me numa carteira e, como não tinha que aprender, a minha tia dizia para eu desenhar, e eu desenhava… Foi assim, creio eu que se iniciou a minha „carreira“ como pintora. Todavia, devo dizer que sempre senti em mim duas pessoas: a pintora que sou e o eu que eu preciso ser. Quando pinto, sinto-me a mergulhar cada vez mais no profundo mar de cristal, onde pertenço inteiramente, onde esqueço o mundo inteiro, vivendo durante o tempo que pinto a minha vida bela e maravilhosa. Deixo-me coroar de cores, são as minhas rosas sem espinhos. Porque são muitos os que tenho, e, ainda escondidos, bastante agudos na outra Neusa que sou… a mulher que muitas vezes não tem facilidade em responder e cumprir com as exigências que se lhe impõem…A pintora, que pode isolar-se do mundo que a molesta ou levantar asas na leveza das suas cores.

São diversos os sentimentos que me invadem quando crio uma obra, sobretudo os da minha infância. A pintura leva-me sempre a esse lugar perpétuo, aos serões dos longos invernos, às férias de Verão, a dois tios, irmãos da minha mãe, que eram professores num liceu em Malange (Angola), que me falavam de África, do navio em que vinham e onde paravam, sobretudo falavam de „Las Palmas“ e faziam-me sonhar… Um dia, trouxeram-me uma linda boneca quer era uma atração para todas as outras crianças e que mais tarde fez com que surgissem as minhas bailarinas que fiz para uma instalação no museu de Lamego.

Não há fatores precisos que me levam a pintar. Nem sempre consigo pintar… A maioria das vezes que pinto é precisamente, quando estou triste ou me sinto revoltada contra algo que é injusto, me magoa, ou por causa de gente que molesta a humanidade. São muitas e muitas coisas que se comunicam no inconsciente do meu ser, uma espécie de perceção que domina e define o que vejo e o que sinto. A pintura, quando é verdadeira paixão comunica-se num sentimento singular de exaltação e paz, afasta, ainda que seja por momentos, todos os males que até ali me cercaram e à minha volta tudo se torna amistoso. É algo de sensacional e prodigioso que transborda da alma e se modela na tela, como se fosse um território, sem geografia nem tempo, onde os meus olhos não se cansam de o ver… Talvez seja a única maneira de agarrar o tempo que se escapa e de assim defender a minha liberdade que é tão única nas suas cores e nas suas formas. Todavia, não me importa o resultado, nem se vou agradar ou não… Para mim conta apenas o momento fugitivo que fica detido na tela.
Desde 1988 já expus em diversos países, entre os quais a Áustria, a Alemanha, a França, a Itália, a República da Macedónia e Portugal. A primeira exposição que fiz, foi em Itália, em Messina, no atelier do grande Mestre Salvatore Grego com quem aprendi muito e para quem trabalhei durante 6 meses. A ele agradeço o meu desenvolvimento individual, não obstante de ele exigir que pintássemos o que ele queria, mas depois das tarefas cumpridas, os outros estudantes e eu podíamos usar os materiais dele. No fim dos 6 meses expusemos, todos juntos, as nossas criações. Também trabalhei com outros grandes professores: Michel Delreux e Nordis Velasquez. Mais tarde vim a trabalhar no grande museu Anton Panov na Macedónia a convite da Bolsa Internacional da Cultura. Aí conheci outros grandes artistas da Bulgária, Sérvia e de outros países. O escultor  Pavel Vasilev e a dramaturga, pintora e escritora Zoya Mineva encontravam-se entre esses magníficos artistas que posteriormente visitei nos seus seus ateliês em Viena e na Bulgária, altura a partir da qual temos vindo a trocar ideias sobre arte.